terça-feira, 19 de julho de 2016

A História dos Protestos de Rua

A Revolta da Cachaça


Protestos são tão antigos quanto as ruas. Revoltas já aconteciam no Egito antigo, relacionadas á carência de alimentos."No começo de quase todas havia a falta de pão", afirma o historiador Voltaire Schilling, autor da Revolução Francesa: Iluminismo, Jacobinismo e Bonapartismo. É provável que ninguém que saiu ás ruas atualmente gostaria de estar numa manifestação de antigamente. Não havia direito de protestar expresso em lei. Os atos  podiam tanto ter suas reivindicações atendidas quanto ser tratados como crime. E a repressão costumava ser brutal. Soldados regulares cuidavam de dispensar manifestantes - uma carga de cavalaria com sabres, batendo com o lado não afiado era comum. Até a, munição letal era disparada contra o chão .Do lado dos manifestantes, não havia distinção clara entre protesto, quebra-quebra, saque e linchamento.

O primeiro protesto do Brasil foi a Revolta da cachaça. Em 1660, produtores de aguardentes do Rio de Janeiro se manifestaram contra novos impostos, enquanto o governador da capitania estava fora da cidade. "A ideia de que ás vezes é justo ser contra o governo surgiu na Reforma Protestante", afirma Schiling. A violência do período que se seguiu á publicação das teses de Martinho Lutero, em 1517, levou pensadores a defender a ideia de que a religião era algo de foro íntimo e não cabia ao Estado fazer imposições. Assim, ao menos em uma situação, era justo protestar.

A ideia se expandiu como o Iluminismo. O filósofo Jonh Locke afirmou que contra a tirania a rebelião não era apenas um direito, mas um dever. Nos EUA, país nascido de uma revolução a Primeira Emenda da Constituição, de 1791, garante liberdade de reunião. Era tão radical que demorou a colar. As questões sociais continuaram a ser tratadas como caso de policia. Foram necessários ícones como Gandhi e Martin Luther King Jr. para impregnar a consciência ocidental com a visão de protestos podem ser justos, pacíficos e organizados. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 1948, na ONU, garante o direito da manifestação. Mas, como mostram eventos recentes, manifestantes e policiais podem ainda assumir atitudes de outras épocas.