quarta-feira, 27 de julho de 2016

Uma Quase Bofetada



Em um país com largo histórico de rupturas no processo político, as trocas de presidentes por vias normais costumam ser memoráveis. Um destes episódios teria envolvido Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros, em 1962. JK, que deixava o cargo após, entre outras coisas, ter criado Brasília, recebeu a informação de que Jânio, o presidente eleito, faria um discurso inflamado contra o presidente que saía da nova capital. Juscelino, decidido a passar a faixa presidencial para o representante eleito, teria afirmado: "Quero dar uma demostração ao mundo de que a democracia funciona no Brasil". Um auxiliar questionou: "E se ele fizer um discurso agressivo?". O político mineiro respondeu : "Dou-lhe uma bofetada na cara e o derrubo no meio do salão. Vai ser o maior escândalo da história da República". A transferência de faixa aconteceu no dia 1°de janeiro de 1962, sem sobressaltos.


Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 10, Edição 109°



Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 10, N°

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Bata antes de entrar



Josef Stalin liderou a União Soviética com mãos de ferro entre 1922 e 1953. O político socialista, que esteve á frente de uma das duas maiores potências mundiais, era extremamente preocupado com a construção da sua imagem pública. Por conta disso e para cuidar da sua segurança, chegava ás raias da paranoia quando o assunto era sua vida privada. Conta-se que a instrução passada ás suas sentinelas era que nunca, em hipótese alguma, mesmo se solicitadas, entrassem em seus aposentos. Para testar a fidelidade dos seus homens, teria gritado por socorro - os guardas entraram em seu quarto e, por terem descumprido a ordem expressa, teria sido executados. Tempos depois, Stalin não saiu do seu quarto na hora de costume, pela manhã. Os guardas embora apreensivos, não entraram. Ás 10 da noite, um comandante descumpriu a ordem e entrou em seu quarto, encontrando o seu líder caído - Stalin, aparentemente, havia sofrido uma convulsão, e morreria quatro dias depois, no dia 5 de março de 1953.


Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional, Ano 10, Edição 109°

domingo, 24 de julho de 2016

17 Curiosidades sobre o Yuri Gagarin




Yuri Alekséievich Gagarin foi um cosmonauta soviético, que em 12 de abril de 1961 passou a ser o primeiro ser humano a viajar ao espaço, a bordo da nave Vostok 1. Em 1960, depois de um processo de seleção, o programa espacial soviético selecionou Gagarin entre outros 20 cosmonautas. Foi submetido a uma série de experimentos e provas para determinar sua resistência física e psicológica durante o voo. Gagarin competiu nesta seleção com outro importante cosmonauta, Gherman Titov. Gagarin passou nos exames com os níveis mais altos. Além de representar da melhor maneira o ideal comunista por ser filho de trabalhadores, ao contrário de Titov, que era filho de comerciantes, além do fato de Guerman ser considerado um nome de origem alemã. Contudo, Titov foi o cosmonauta de reserva nesse primeiro voo ao espaço e acompanhou também Gagarin no transporte ao foguete espacial.


Veja abaixo 17 curiosidades do Yuri Gagarin:


1- Yuri Alekseyevich Gagarin, nasceu em 9 de março de 1935, na cidade de Klushino, antiga União Soviética.

2-Entrou para a história ao participar do primeiro voo orbital tripulado em 12 de abril de 1961.

3-Quando embarcou, media apenas 1,58 metros e pesava 69 quilos.

4-Não teve que comandar a espaçonave, já que a Vostok-1 era completamente automática. Foi apenas espectador.

5-Quando avistou a Terra do espaço disse a famosa frase: "A Terra é azul".

6-A viagem durou 1h48, tempo suficiente para dar uma volta em torno do planeta.

7-Quando estava a apenas 7 quilômetros do chão acionou o acento ejetável e terminou a descida com a ajuda de um para-quedas. Temia-se que o impacto da cápsula com o chão fosse muito forte para o cosmonauta. Somente nos anos 70 o motivo da descida inesperada foi revelada, já que os soviéticos não queriam desqualificar a viagem.

8-Yuri Gagarin não era astronauta, mas piloto da Força Aérea soviética, assim como todos os candidatos a cosmonauta para a missão.

9-Entre os dias 29 de julho e 5 de agosto de 1961, Gagarin visitou São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e foi condecorado pelo presidente Jânio Quadros com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

10-Ainda na visita ao Brasil conheceu um menino batizado com seu nome: Yuri Gagarin da Silva
Em Brasília, afirmou: "A impressão que tenho é de estar chegando em um planeta diferente" .

11-Foi o responsável pelo primeiro contato diplomático entre o Brasil e a União Soviética. Gagarin
levou a Jânio uma mensagem de Nikita Kruchev, líder soviético. As relações diplomáticas entre os dois países se concretizaram em dezembro de 1961.

12-Após a sua morte, em 1968, sua cidade natal, Klushino, a oeste de Moscou, foi rebatizada de Gagarin.

13-Em 1993 seu uniforme foi leiloado por 112.500 dólares.

14-A cápsula espacial Vostok 1 era redonda e tinha de menos de 2 metros e meio de diâmetro.

15-Sobre a gravidade afirmou: "Todos os objetos soltos flutuavam no ar e eu os via como se fossem em um sonho".

16-Com medo de ser substituído na missão histórica não dormiu na noite que antecedia a decolagem.

17-Yuri Gagarin morreu em um acidente aéreo no dia 27 de março de 1968, vítima de uma falha na
previsão de nuvens baixas.

sábado, 23 de julho de 2016

Execução em família: mais comum do que se pensa....




Quando jovem presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ordenou a execução de seu tio em dezembro de 2013, o ocidente sentiu-se ultrajado. Mas ele não estava fazendo nada de surpreendente (ou, na verdade, inesperado) pelos padrões históricos. Assassinar os rivais ao poder, inclusive da própria família, mostra-se uma prática padrão em todo o mundo desde o início dos tempos. Por exemplo, cerca de um terço de todos os imperadores romanos ocidentais foram assassinados ou executados.

Isso não quer dizer que não existiam leis contra o assassinato na vida civil, mas era um crime mal definido e, no mundo romano, a legítima defesa sempre permitia o perdão da pena. Não havia dificuldades em, por exemplo, articular uma briga de rua para assegurar o fim desejado. No campo de batalha, 50 mil foram trucidados pelo exército de Aníbal em um dia, na batalha de Canas em 216 a.C.

Para os historiadores de qualquer época e lugar, tais ocorrências eram totalmente corriqueiras. Elas foram e sempre acabam sendo um alternativa. Porém, isso cria um problema: por que será que, na maior parte do ocidente nos últimos cem anos (um mero ponto na história da humanidade) tal atitude cavalheiresca em relação á vida tornou-se tão completamente inaceitável ?

Em particular, por que será que a pena capital é agora uma maldição ? Afinal de contas, a execução de criminosos foi desenvolvida para servir a algum honroso propósito civil ( retribuição, proteção comum ou, como  argumentava o antigo grego Pitágoras, desencorajamento). O que mudou em um período notavelmente tão curto de tempo que, por exemplo, ser membro da União Europeia dependa da abolição da prática ?

Eu me encontro ainda tentando estabelecer exatamente o que foi essa mudança ( e por que, á luz da história, teve um efeito dramático tão rápido).

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O Hérói "vira-casaca"




Até o início de 1822, não havia "Brasil", apenas "pátrias locais", províncias para as quais o conjunto da América portuguesa era desconhecido. Conta o historiador Marcelo Galves que a independência do Brasil foi feita devagarinho, e que "bem depois do Grito do Ipiranga, um bom pedaço do país mantinha-se fiel ao Império português".

Em 12 de outubro de 1822, a aclamação de D.Pedro I como imperador oficializou a separação do Brasil de sua antiga metrópole. As disputas, porém, continuaram. Foi numa dessas batalhas que João Francisco de Oliveira Botas ganhou fama de herói da Marinha. Era chamado de João de Botas, nas águas da Baía de Todos os Santos, na ilha de Itaparica , entre  a Praia da Ponta de Areia e a barra do rio Paraguassu, na Bahia. Português de nascimento, aderiu á causa da independência e comandou uma flotilha (pequenos barcos da Marinha de Guerra), ajudando a proteger a parte interna  da baía e a ilha, atacada por 40 lanchas, dois brigues de guerra e várias canhoneiras portuguesas. A ele foi creditado todo o transporte de mantimentos e de material bélico que durante três dias de intensos ataques deram sobrevida ao "Exército de Libertação", enfim vitorioso em 13 de outubro de 1822. A independência de toda a região baiana, no entanto, só viria em 2 de julho de 1823.

João das Botas, herói da causa brasileira, fez pouco da virtude e incluiu em sua estratégia especialmente a sabotagem dos navios portugueses.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A inflação,um fantasma que assombra a economia desde a Roma de Diocleciano



No século 3, o Império Romano estava em apuros. Guerras civis irromperam entre generais que lutavam pelo poder. Províncias declaravam independência e ajudaram a reduzir o volume de impostos pagos, enquanto fontes de metais preciosos entravam em declínio. Na esperança de aumentar as receitas do Estado, Roma começou a depreciar a sua moeda  com uma drástica redução no teor de prata durante a cunhagem notadamente no ano de 268. A inflação estava fora de controle. Um empresário escreveu ao seu administrador de escravos: "Corra! gaste todo o meu dinheiro; compre-me qualquer preço que conseguir".

Quando Diocleciano (imperador romano entre os anos de 284 a 305) chegou ao poder, decidiu que era hora de dar um basta. E a maneira que encontrou foi abandonar a política de laissez faire, que permitia aos governadores provinciais administrarem suas regiões como bem entendessem. Em vez disso, resolveu assumir o controle através de éditos imperiais centralizados.

Para evitar uma revolta provincial, ele quase dobrou o número de soldados e, para pagar por isso, reestruturou completamente  o sistema fiscal provincial. A fim de coletar mais impostos, aumentou a burocracia estatal ("mais funcionários que contribuintes", segundo uma fonte hostil á política econômica do imperador). Para corrigir a inflação e estabilizar a moeda, decidiu revalorizar a cunhagem.

O custo de tudo isso foi enorme (e não levou a nada). Os preços subiram, e quanto mais aumentavam, mais as pessoas acumulavam, mais rápido os preços aumentavam.

A resposta de Diocleciano para a crise foi a introdução de seu famoso édito Máximo. Colocando a culpa da inflação na "paixão desenfreada pelo lucro" dos empresários (quando a inflação produzida pelo império era a verdadeira culpada) ele impôs preços máximos em tudo. Cereais (incluindo tremoços), vinho, azeite, carne (porco, pavão, pardal, arganaz, rola-comum), vegetais, escargots e ovos, peles (boi, ovelha e hiena), couro e animais (incluindo leões!) foram todos sujeitos ao novo teto de preço.

E os salários também Trabalhadores de todos os tipos (do assalariado comum e do barbeiro ao coletor de esgoto e ao advogado profissional) descobriram, de repente, que havia um novo limite para o que poderiam ganhar. E para incentivar um público relutante a se sujeitar, Diocleciano decretou que qualquer um que desobedecesse ao édito seria condenado á morte.

No entanto, nem mesmo a ameaça de execução poderia salvar do Édito Máximo do fracasso total. Os comerciantes se uniram e pararam de produzir mercadorias, vendiam os seus produtos de forma ilegal ou faziam trocas. A população em geral se juntou, e todo o sistema rapidamente se desvaneceu na história.

terça-feira, 19 de julho de 2016

A História dos Protestos de Rua

A Revolta da Cachaça


Protestos são tão antigos quanto as ruas. Revoltas já aconteciam no Egito antigo, relacionadas á carência de alimentos."No começo de quase todas havia a falta de pão", afirma o historiador Voltaire Schilling, autor da Revolução Francesa: Iluminismo, Jacobinismo e Bonapartismo. É provável que ninguém que saiu ás ruas atualmente gostaria de estar numa manifestação de antigamente. Não havia direito de protestar expresso em lei. Os atos  podiam tanto ter suas reivindicações atendidas quanto ser tratados como crime. E a repressão costumava ser brutal. Soldados regulares cuidavam de dispensar manifestantes - uma carga de cavalaria com sabres, batendo com o lado não afiado era comum. Até a, munição letal era disparada contra o chão .Do lado dos manifestantes, não havia distinção clara entre protesto, quebra-quebra, saque e linchamento.

O primeiro protesto do Brasil foi a Revolta da cachaça. Em 1660, produtores de aguardentes do Rio de Janeiro se manifestaram contra novos impostos, enquanto o governador da capitania estava fora da cidade. "A ideia de que ás vezes é justo ser contra o governo surgiu na Reforma Protestante", afirma Schiling. A violência do período que se seguiu á publicação das teses de Martinho Lutero, em 1517, levou pensadores a defender a ideia de que a religião era algo de foro íntimo e não cabia ao Estado fazer imposições. Assim, ao menos em uma situação, era justo protestar.

A ideia se expandiu como o Iluminismo. O filósofo Jonh Locke afirmou que contra a tirania a rebelião não era apenas um direito, mas um dever. Nos EUA, país nascido de uma revolução a Primeira Emenda da Constituição, de 1791, garante liberdade de reunião. Era tão radical que demorou a colar. As questões sociais continuaram a ser tratadas como caso de policia. Foram necessários ícones como Gandhi e Martin Luther King Jr. para impregnar a consciência ocidental com a visão de protestos podem ser justos, pacíficos e organizados. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 1948, na ONU, garante o direito da manifestação. Mas, como mostram eventos recentes, manifestantes e policiais podem ainda assumir atitudes de outras épocas.